
Festinha infantil. É a segunda ocasião em que geralmente o elenco principal, o núcleo protagonista da família se reúne, vindo seguido dos enterros, evento de muito maior audiência, onde até mesmo os coadjuvantes - leia-se primos de Sorocaba e outros confins do universo - comparecem. Isto só pode significar uma coisa: se você der um vexame, será lembrado por todos, e por muito tempo.
Considerando que o máximo que dá pra fazer em um enterro é desmaiar, querer ir junto com o morto, ou em casos menos convencionais, por algum motivo, derrubar o caixão... Festinhas infantis, por envolverem bebida alcoólica, são de longe mais perigosos! Então...
Ontem: Pula-pula, coxinha, guaraná, bolo, balões, gorfo de neném, cheiro de Jhonsons baby, carne-louca e gente louca reunidos.
Ok, não estavam loucos, mas a cerveja latão já tava acabando, e a faceirice dos titios e do papai só começando. Eu tinha bebido só três, tava bom, só rindo moderadamente das besteiras e das brincadeirinhas, me sentindo parte da família sabe? Pois é.
Bolo vai, bolo vem, parabéns, piada do tio, piada do pai... Faceirice. Até que minha tia me pediu pra eu subir nas cadeiras e começar a soltar os balões da decoração pra dar pra molecada, e lá fui eu, me sentindo leve. Pronto! Você já esta aí pensando que cai da cadeira em cima da mesa do bolo e rasguei minhas roupas depois que elas pegaram fogo ao encostar na decoração pirotécnica, né? Errou! Aconteceu o seguinte:
Deixei umas bexigas com meu tio pra ele dar pro meu primo pequeno, ele colocou elas no colo e ficou conversando, até que papai surge do chão gritando aloca e diz: VAMO ESTOURAR! Pula sentado no colo do titio e estoura todos os balões duma vez. Ok. Se ele não tivesse estourado junto dois pés da cadeira, e tivesse ido parar no chão sentado no colo do titio.
Pausa dramática.Todos riem.
Primeiro fiquei em choque, mas então comecei a rir feito uma hiena. GENTE! Como assim? Minha mãe já ficou puta, soltou um VAMO EMBORA! PRA MIM A FESTA ACABOU, SEU PALHAÇO! As risadas foram minguando, papai levantou cabisbaixo... Fomos embora.
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Sabe, sei que meu pai fez uma besteira, mas acho que pela quantidades de besteira que fiz nos últimos tempos, foi a primeira vez em muito tempo partilhei algum sentimento com ele. Não que eu tenha apoiado, achado bom, mas quando ele soltou um "Desculpa, eu errei", me senti tão idiota quanto ele provavelmente estava se sentido, como me sinto sempre depois de protagonizar situações parecidas, e assim, simpatizei de alguma forma com ele, por um motivo tão adverso, como não simpatizava há anos. Ele também é um brincalhão. Deslizou.
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Hoje já ta tudo bem, ele ligou pra minha tia dona da festa e se desculpou. Será lembrado por alguns meses como um babaca... Acho triste, mas necessário.
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É o perico do álcool: o fogo.
Cada dia mais, acho menos divertido sair pegando fogo por aí!