quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Bondes e rolês...


Hoje estava vindo trabalhar e refletindo...

O transporte público é mesmo um circo andante! Que delícia ficar observando cada tipo em seu banco, ou de pé, roçando a barriga/bunda em tudo ao redor sem ter opção enquanto torce pra que alguém desocupe logo um lugar.

Hoje tinha uma mulher, devia ter quase uns 60 anos, mas ela não parecia saber disso... Tava sentada no banco de frente, com uma calça bem justa, e uma camiseta larga de gola cortada a mão. Batia o cabelo loiro mais que uma travesti no ponto, tinha dois olhos quase imersos na pelanca, que ela – ousada – pintava bem de preto, e a bochecha era gorda mais caída, tipo um botox fail. Ela me lembrava a Márcia Goldschimitt, só que com mais cara de “manicura que venceu na vida” do que a própria já tem. Mexia a cabeça e os olhos que nem uma pomba maluca, olhando tudo ao redor, acho que esperando pegar alguém que estivesse olhando pra ela. Eu tava longe, e ficava só imaginando o que ela imaginava... Será que ela queria um romance com o cobrador pra não precisar pagar passagem nunca mais? Não sei... Mas falando nisso...

O transporte público também nos rende amores passageiros, literalmente – risos. Sabe, quando você encontra alguém que acha lindo – ou não – mas que dá vontade anyway? Daí começa a imaginar toda a situação: a pessoa te pergunta se você quer que ela segure (o que ta na sua mão) e você responde SIM! E se joga no colo dela! E vocês vivem um lindo amor, daqueles que você trata a pessoa como se ela tivesse problema mental... Até que ela desce e você enviúva de novo...

Tem também quem gosta de ouvir música, e quer todo mundo ouça junto. Acho lindo esse sentimento comum que invade, sobretudo, os fans do Calypso, e de funk xereca. Minha vontade é de baixar um exu de Charlotte Church e cantar o tema de Esperanza aos berros só pra fazer a erudita. Esses dias, num caso desses, no entanto, descobri uma bixa. O fone de ouvido tava tão alto que eu acompanhei todo o Sticky & Sweet com ela!

Eu por outro lado, gosto de ir sozinho no meu banco, é um momento de introspecção, e geralmente, por isso, quando encontro conhecidos, finjo que não os conheço!
No metrô, tenho um momento diva, em que atravesso o vagão a passos largos desfilando de uma ponta a outra, onde fica a porta que – já decorei – sai de frente pra escada rolante, e na hora de sair, vou na frente e subo a escada sem deixar ninguém passar na minha frente. É quando penso: É TUDO MEU!

Pronto! Fiz meu desabafo pau de arara.
Beijos!